A convite da professora de Português, Maria João Torrão, e com a entusiástica colaboração da professora de Filosofia, Vera Barbosa, realizou-se, na biblioteca da EBS Carolina Michaëlis, uma sessão de reflexão em torno da perspetiva da arte presente em Memorial do Convento, de José Saramago.
Perante alunos das áreas de Línguas e Humanidades e de Socioeconómicas, a obra foi abordada a partir de um ângulo particularmente inspirador: a música.
Ao longo da comunicação, fomos desafiados a olhar o romance como se de uma composição musical se tratasse — feita de ritmos, pausas, harmonias, contrapontos e vozes que se cruzam entre a pedra do convento e o voo da passarola, entre o peso da História e a leveza da criação humana.
A sessão revelou-se um verdadeiro momento de encontro entre Literatura, Filosofia e Arte, deixando alunos e professores profundamente envolvidos numa reflexão simultaneamente estética, histórica e humana.
No centro do espaço, uma mesa simbólica ajudava a traduzir visualmente o espírito da atividade: a pedra evocava a matéria e o esforço da construção humana; o livro representava a palavra e a criação literária; a caixa de madeira sugeria a estrutura, a memória e a arquitetura do pensamento; a luz, por sua vez, simbolizava o conhecimento, o diálogo e a procura de sentido.
Mais do que uma simples atividade letiva, esta sessão transformou a biblioteca num espaço vivo de pensamento, escuta e partilha — um lugar onde a literatura continua a interpelar o presente e a convocar diferentes formas de compreender o humano.
Porque há obras que permanecem. E há conversas que, tal como a passarola, continuam a voar muito para além do momento em que acontecem.
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Para apreciar a música de Domenico Scarlatti, um excerto (Fandango) - Orquestra Sem Fronteiras com direção de Martim Sousa Tavares (neto de Sophia de Mello Breyner Andresen)












